sábado, 8 de novembro de 2008

Valor do seu trabalho


Uma deficiência da Universidade é não ensinar aos alunos o valor do seu trabalho. A tabela do Conselho é defasada, me formei em 2004 e os preços eram de 1999. Na consulta eu incluía os procedimentos, alguns medicamentos, sendo que consulta é só consulta. Cada coisa deve ser cobrada separadamente. No consultório eu trabalhava com preços muito baixos. Eu achava que estava recebendo bem e que a culpa da falta de grana era o movimento fraco mesmo.
Uma consulta de rotina para vermifugação de um filhote, por exemplo, eu cobrava somente a consulta, orientava o proprietário, examinava o animal e dava o medicamento via oral. Se eu fosse colocar na ponta do lápis eu saia feliz porque trabalhava com uma consulta de 30,00 e o medicamento custou no máximo R$ 0,50. Acontece que o veterinário começa a ganhar dinheiro quando ele passa a pensar como administrador, como médico. Eu não estava ali para vender um medicamento de R$ 0,50, eu estava ali para auxiliar, orientar, entender o problema e resolver, não posso pensar como lucro no medicamento, mas o quanto eu ganho por tudo que faço. O que eu deveria cobrar era, por exemplo, R$30,00 da consulta mais R$2,00 do medicamento mais R$ 2,00 do procedimento, que era administrar o medicamento via oral. Agora sim eu estava valorizando todas as etapas do serviço prestado.
Então quando eu comecei na clínica com Renata, eu não sabia trabalhar valorizando o meu serviço. Achava que ela explorava mesmo, não conseguia entender que ela estava me ensinando a grande lição do valor do meu conhecimento.
No início eu ficava com vergonha de cobrar, ficava na obrigação de dar um desconto, e essa foi a primeira lição, eu não era loja, não tive desconto com meus gastos de faculdade, não posso dar desconto em serviço, poderia ser em algum medicamento vendido, e mesmo assim de 5%, o máximo de desconto que as empresas dão pra a gente em pagamento à vista, quando dão, é de 3%.
E muitas outras lições vieram depois dessa.
Eu não quero só ser veterinária, quero viver da minha profissão.

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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Anclivepa 2005


Esquecendo um pouco a dor e voltando no passado vou falar do Congresso que antecedeu a inauguração da clínica. Anualmente temos o Congresso da Associação Nacional dos Clínicos Veterinários de Pequenos Animais e em 2005 foi em Salvador... claro que eu fui.
Enchi o saco do Beto para ele me deixar ir de carro, eram 450 km, não tinha como eu me perder. Então fomos Allana, Cláudia, Renata e eu. Voei em vários quebre-molas.
Aproveitei a oportunidade também para conhecer melhor a Renata.
Acertei com uma veterinária para trabalhar no meu antigo consultório por cinco dias, ela ficou um dia, pegou dengue, não voltou mais, que azar.
O congresso foi muito bom, várias pessoas de fora aproveitando Salvador, então os laboratórios promoveram várias festas. A Cláudia, minha amiga que fazia veterinária, foi só para as festas, ahahah. Ela ama animais, mas veterinária não enche seus olhos como uma cozinha, e eu que adoro comer, amo muito tudo isso.
Eu enlouqueço nas feiras dos congressos, até então eu havia participado como estudante, nunca como profissional, nós comandamos os estandes!! Participei de todos os sorteios, ganhei várias amostras, sacola de viagem, bolsa de praia, canetas, bloquinhos lindos.
Eu e Renata aproveitamos as promoções para comprar uns equipamentos para a clínica.
Na volta eu estava bem cansada, dividi a direção com Renata. Levei 7 horas para chegar, estourei dois amortecedores, disco de freio, a suspensão inteira, tomei uma multa, mas valeu a pena.
O Beto ficou bravo!!

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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Tatuagem



Ontem fez um dia que eu perdi meu Horácio, resolvi radicalizar, fiz uma tatuagem.

Na verdade foi a segunda, há um ano eu fiz meu gatinho. Lindinho, nas costas. Fui acompanhar a mamãe que queria fazer uma orquídea. Minha mãe é muito dengosa, mais do que eu, e não chorou nem reclamou na tatuagem. Claro que eu não podia deixar de fazer uma também. Comecei a folhear o portfólio, vi um desenho bem legal de um gatinho, e então ele passou a morar nas minhas costas.
Não doeu quase nada.
Então, dessa vez que eu vim para Brasília, resolvi fazer outra tatuagem. Não queria outro gato, eu gosto de gatos, especialmente dos meus e dos meus pacientes. Os gatos costumam deixar marcas nas suas visitas, como duas cicatrizes que tenho no braço, presentes de uma gatinha chamada Anjinho, e os arranhões no tosador a cada banho da Santinha. Mas eles são pacientes especiais mesmo, precisam de muita paciência e carinho. Então a tatuagem do gato nas costas veio a calhar, afinal de contas, toda mulher quer ter um gato atrás dela o resto da vida.
Mas eu queria algo mais. Pensei em tatuar outra coisa, mas não um cachorro. Eles que me perdoem, mas não são todas as tatuagens de cães que ficam boas. Então eu decidi tatuar um tigre, uma grande amiga minha, a Roberta, me falou sobre tatuar um tigre e eu achei a idéia ótima.
Mas antes de decidir o que tatuar eu tinha que tomar duas decisões, a de tatuar e o local. Meus amigos me disseram que eu era louca, a primeira decisão tinha que ser o desenho. Ah, lá na hora eu escolhia.

Falei com um amigo tatuador que me indicou uma pomada que anestesia por até uma hora, e também que ele sentiu muita dor na batata da perna, o local escolhido, mas que outras pessoas não costumavam reclamar não. Então ia ser na batata mesmo.

Escolhi o desenho, fiz o orçamento, comprei a pomada, passei com cuidado, fui ser tatuada. Antes de começar eu falei: moço, dá um tapa aí na batata para eu ver se dói!
PAFFTTT
Pohaaaaaaaaaaaa!!!!! Tá louco, o cara bateu sem dó e doeu muito.
Quando ele começou eu já tinha me arrependido, escolhi uma tatuagem grande, cheia de detalhes, que doeu bastante.
Parecia que ele tava me marcando com brasa quente. Eu tremia, e suava as mãos. Depois de 20 minutos que pareceram 5 horas, e eu perguntei para minha amiga, a Lya, se já tava terminando. Ela disse: sim, o contorno de uma pata!!

POR QUE OS TIGRES TÊM QUATRO PATAS???

eu xinguei até a décima geração do tatuador, da pomada, do laboratório que fabricava a pomada, da minha falta de memória do quanto isso poderia doer, da minha teimosia de fazer na batata da perna...

O tatuador era muito gente boa... eu comecei a me mexer... involuntariamente, o meu corpo não estava acreditando em tanta dor e em como eu estava parada, ali, sofrendo.
Então o Beto chegou, me levou água tônica, me disse que estava ficando linda, que eu era corajosa.... muito gentil mas não passava a dor.
Então eu perguntei se faltava muito, o tatuador já tinha percebido o quanto eu era fresca, ele responde: já fiz 60%!
setenta?
não, sessenta!
Setenta?
SESSENTAAAAAAA!!!!!
Daí eu calei.
Eu tremia, Beto riu, Lya riu, eu ri também. Daí eu comecei de novo: moço, aí onde você tá dói demais, deixa essa mão mais leve, que isso, aiiiiii, poha, car****, não é possível, tá doendo!!
CALA A BOCAAAAAAAA!!!!

ahahahahaha, demos gargalhadas, deu para descontrair
Depois de cerca de duas horas de sofrimento ele acabou, tirei fotos, talvez volte para arrumar uma patinha, mas ficou no local que eu queria, do tamanho ideal e do jeito certo. Esse é o Pacato, meu tigre, que vigia minhas costas.
Eittaa coragem!!




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