terça-feira, 10 de março de 2009

Recebo, cuido e devolvo


Nesse sábado, dia 7, nós atendemos um animal que veio de uma cidade do interior da Bahia, chamada Vitória da Conquista. É muito gratificante saber que os proprietários de tão longe e até veterinários, confiam na gente. É a segunda vez que recebemos um paciente dessa cidade. A primeira vez foi uma bulldog gestante, para ultrassonografia, e dessa vez foi um bulldog de 10 meses com uma condição chamada prolapso de uretra. Ele veio em busca de socorro cirúrgico que pudemos prestar. O procedimento consistiu na excisão do prolapso e a plastia da porção final da uretra. Tudo correu bem, o cão foi liberado no outro dia para sua cidade, porém durante o pós operatório, já na residência, o animal não ficou sondado e acabou necessitando uma nova intervenção pois houve estenose da uretra.
Na faculdade a gente aprendeu várias coisas, tratar dos pacientes, lidar com internamento, mas eu não aprendi como tratar de uma coisa tão gostosa e ter que devolver para o dono depois.
Não dá vontade nenhuma...
Quando eu era criança e as cadelas pariam lá em casa, mamãe falava que eu tinha direito a um filhote, e com o dinheiro da venda eu podia fazer o que quisesse. Então, eu nunca pedi para ficar com cachorrinho nenhum, queria mais era vender.
Alguns pacientes são tão gostosos, tão adoráveis e fofos, que é difícil devolver.
Esse paciente da foto é o Oberon, um filhote de shar pei que parou nas minhas mãos... apertei tanto. Ele foi fazer uma cirurgia de correção de entrópio, que é uma inversão de toda ou parte da pálpebra e a depender do grau e severidade pode haver lesões na córnea. Ele foi levado para uma instituição para realização da cirurgia plástica para correção dessa condição, porém teve uma complicação anestésica e, como não internavam por lá, acabou nas minhas mãos. Recuperou-se bem.
O paciente do vídeo é o Romeu da cirurgia, na varanda da minha casa, no dia seguinte. Ele foi embora bem, espero que volte para me visitar.

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sábado, 7 de março de 2009

Posse Responsável - II


Eu não peço para nenhum cliente colocar roupa e sapato no animal, ou deixar dormir na cama, dar mil petiscos para sua felicidade, isso não é posse responsável.
Adotar um animal deveria ter os mesmos protocolos para adoção de uma criança. Que fosse pelo menos a orientação do novo proprietário e alguma agência que credenciasse fiscais e autorizasse as famílias a criar os animais. Alguma agência para a qual pudéssemos fazer denúncias de maus tratos.
Esse é o meu trabalho social prestado a todos os clientes, ensinar o que é Posse Responsável, perder meu tempo na consulta para mostrar o quão absurdo é soltar o cachorro na rua sozinho para ele fazer a necessidades e aguardar que ele volte.
- A culpa não é do vizinho se o seu cachorro saiu e comeu o veneno para rato que o vizinho colocou na varanda, a culpa é sua, que não acordou mais cedo para passear com seu cachorro, na coleira. Esse tipo de coisa deve estar bem clara para o cliente, para a família e para o veterinário que agora vai acompanhar aquele animal para o resto da vida.
Sou a favor da adoção de animais de rua em centros de controle de zoonoses ou ONGs, sou a favor da castração precoce de cães e gatos, machos e fêmeas, sou a favor da Posse Responsável. Recomendo o grupo ARCA BRASIL, onde há várias informações sobre posse responsável, adoção, castrações, dentre outras coisas.
Vamos praticar a posse responsável, você sabe o que sobre isso??

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quarta-feira, 4 de março de 2009

Posse Responsável


Cada dia mais o cão e o gato vem conquistando um espaço na vida do ser humano, não somente como um vigia mas como animal de companhia, amigo, filho e até razão de viver. O sucesso do tratamento de pessoas com depressão com a adoção de um pet é fantástico. Porém, infelizmente, para algumas pessoas a responsabilidade acaba logo, quando o animal vai ficando velho, começa a dar trabalho e despesa, o dono tem aí a chance de retribuir todo afeto que o cão ou gato dispensou a vida toda e não o faz. Leva o bicho no veterinário e fala: Dra, quero acabar com o sofrimento dele. Podemos sacrificar? ele já tá velho, e quase surdo, ficando cego!
Alguns simplesmente abandonam. Às vezes nem precisa estar velho, só ter deixado de ser filhote já é o suficiente.
Para essas pessoas deveria ter cadeia... mas muitos deles fazem isso com os próprios pais, quanto mais com um animal
Portanto, eu venho trabalhando essa idéia em meus amigos, clientes, colegas e com vocês, meus leitores. Adote um animal de rua, visite o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da sua cidade e escolha um companheiro para te amar até o fim da vida, e dê uma chance.
É com muito orgulho que eu venho contar a história do Renato. Ele é um amigo que conheci na internet, durante o jogo, claro. Certa vez ele veio me perguntar o que eu achava de pagar 2000 reais em um gato da raça tal. Eu disse: Bom, acho uma coisa legal, se é o que você quer, conheça o criador, ouça atentamente às recomendações e garanto que você vai ser muito feliz, criar gato é bom demais. Mas, você já pensou em adotar um gatinho de rua? desses que são pegos por entidades ou pelo CCZ, tem muitos filhotes por lá.
Bom, algum tempo depois ele adotou o "Gato" que é uma gata filhote, e se amarrou tanto nessa aventura que há cerca de 3 semanas adotou outro... e agora só fala nesses gatos, faz filme e tudo mais...
Gato 1:

Gato 2:

Não sou contra a venda de animais, eu mesma já vendi vários de ninhadas aqui de casa. É um negócio como outro qualquer e quando bem administrado só gera bons frutos, movimenta o mercado pet, as exposições, as feiras, todo esse mundo que envolve a criação de cães e gatos de raça para a venda. Mas sou contra o cruzamento indiscriminado, a falsa idéia de "meu amiguinho tem que cruzar pelo menos uma vez", "castrar vai deixá-lo abestalhado". Na minha opinião todos os donos de cães e gatos deveriam ter licença para isso, pouparia a vida de muitos animais que são abandonados ou que vivem em lares que negligenciam o que eles mais precisam.

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