quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ano novo!!

Hoje é dia 31 de Dezembro de 2008, véspera de ano novo. Eu acordei feliz, sorridente, e.... mentira, nem queria levantar para trabalhar. Peguei carona com o Beto para a padaria, tomei um nescau e comi um pão com manteiga.. EM PÉ... uma pessoa ocupa uma mesa de 4 lugares, outra ocupa outra, e eu tenho que tomar café da manhã em pé. Cadê a solidariedade de fim de ano?? não existe. Fui "bem humorada" a pé até a clínica. Chegando lá fui pagar contas, anotar os compromissos de 2009 em um papelzinho porque simplesmente não tenho agenda para o ano que vem ainda. Chegam 4 exames para fazer... ahhhhh. Fiz os exames... sentei de novo e fui cuidar das contas. Chega uma moça pedindo informações sobre uma raça, e eu, gentilmente e cheia de paciência, fui falando sobre uma raça que eu nunca tive e só ouço falar que são ótimos mas destruidores. Mas eu não disse isso né. 

Então eu estava torcendo para dar logo meio dia, para eu ir para casa, afinal de contas é véspera de ano novo... chegou uma ultra-sonografia para fazer. A veterinária sentiu nódulos no abdômen da cadela e queria saber o que era. Os proprietários falavam inglês, e eu fui explicando que a suspeita da veterinária era algum tumor, e que a gente estava pesquisando... então, encontrei os três tumores, todos eles com o coração batendo dentro do útero. A dona chorou, eu dizia que não ficasse daquele jeito, rapidinho ela arrumaria um dono. Na minha lógica de mau-humor eu imaginava que ela chorava porque ia ter mais trabalho.... quando eu terminei o exame, a proprietária abraçou a cadela e disse:

"thank God, it's not cancer"

Foi nesse momento que eu vi que o meu dia estava sendo ótimo, eu havia trazido boas novas a esse casal, e o espírito de fim de ano deve ser assim, com boas novas.

Eu que estava sem paciência até para ir para festa em reveillon, pedindo para ser deixada em paz para dormir... estou indo agora comprar a nossa mesa em uma barraca de praia para mais tarde pular as minhas sete ondinhas.

Obrigada meu Deus por mais um ano, eu que achei que não fosse sobreviver para ver 2009. Abençoe a família de todos os que aqui visitam, e seus animais. Agradeço por todas as conquistas... Obrigada.



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domingo, 28 de dezembro de 2008

E quando é o nosso?


Eu sempre digo que quando meus animais ficam doentes eu os levo para o veterinário atender. Quando é nosso a gente perde algo precioso chamado coerência e raciocínio, outra pessoa precisa assumir o caso. Costumamos dar opinião demais e às vezes atrapalhar, pensando no bem estar mas sem pensar, um bem estar que faz mal, por exemplo "ihh vai furar de novo?" "pra que tirar mais sangue, 0,05ml não foi suficiente?" "intra-muscular?? nunca!! pode dando via oral, tem uma carninha pra ajudar?" "você esperou eu sair pra colocar a focinheira??? ela não mordeeee" "onde já se viu? perder uma veia... você tem mais UMA chance"

Eu estava dormindo quando a Tina (nossa amada auxiliar) veio me acordar. A poodle, Dalila, havia pulado do segundo andar durante a noite, da casa da mamãe, e estava na porta, esperando com a pata molinha. Antes me deixe falar um pouco de Dalila, ela me odeia. E eu também não morro de amores por ela. Ela tem ciúmes da minha mãe, e eu também, e ela me morde, e eu quase a mordo também.

Bom, ela havia caído em uma parte de cimento do quintal, e defecou na hora, devido à dor, estava com fratura exposta na patinha dianteira (de rádio e ulna), então às sete da manhã mesmo eu acordei a Paula. 

"Paulaaaaaaaaaaa, Dalila, minha cadela, tá com fratura exposta, que que eu faço, você opera? agora? tadinha Paula, eu dou alguma coisa????"

Dalila estava tranqüila, coitadinha, tremia, e veio para o meu colo sem eu nem chamar. 

Ela sofreu duas cirurgias em 2 meses e eu anestesiei em ambos procedimentos, mas ela estava tão calminha, procurava meu colo na clínica, ficou tão feliz em me ver quando saiu da anestesia... mesmo sem morrer de amores por Dalila, eu quase morro tristeza pela sua condição.

Claro que eu já atendi outros animais meus, mesmo sozinha, mas tem hora que temos que passar a bola, e deixar que cuidem para a gente.

Obrigado aos meus amigos pessoais, veterinários dos meus bichos, por toda força, veterinário tem que ter veterinário... Renata, Fernanda, Fábio e Paula



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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Veterinário Defende Veterinário


Na véspera do meu aniversário em 2007 eu recebi uma notícia ruim. Uma pessoa havia deixado recados muito mau educados no meu orkut. Me chamando de açougueira, chamando a minha clínica de açougue Casa do Bicho, dizendo que eu matei o cachorro dele, me ameaçando, e outras coisas mais. Eu fiz "printscreen" de tudo, entrei no MSN para saber do que se tratava e a história era a seguinte:

O cachorro do rapaz havia doado sangue para dois pacientes da clínica em julho e agosto de 2006, quando em julho de 2007 ele adoeceu, a veterinária dele fez vários exames e sem fechar o diagnóstico, disse que o animal havia ficado doente por causa das duas doações de sangue. Além disso outro veterinário oportunista apoiou a idéia da "doação de sangue deletéria" e ainda disse que eu vendia o sangue. O rapaz ficou transtornado. Me ameaçou e tudo mais.

Agora, antes, me deixe falar um pouco sobre transfusão sanguínea, de acordo com a literatura, um animal pode doar cerca de 16 a 18 ml de sangue por quilo, a cada 3 a 4 semanas. Esse animal doou cerca de 8ml por quilo em cada transfusão e um intervalo de 4 semanas entre elas. Resumindo, ele era saudável e poderia doar até o dobro do que ele doou. Não existe essa doença que vai afetar o animais 12 meses após a transfusão, ele teria que estar muito doente na época da doação para ser prejudicado por ela, e mesmo assim não seria um ano depois.

Mas nenhum cliente tem obrigação de saber disso, o veterinário sim. Voltando no ponto da falta de diagnóstico, agora existem até doenças inventadas, tudo para não assumir o fato de não saber do que se trata e nem buscar ajuda.

Eu fui muito prejudicada pela informação errônea desses dois colegas, não vou nem falar de ética porque ética se trata de algo muito pessoal. Precisei ficar com a segurança na porta da clínica por uma semana, mantive todas as ameaças salvas para ir à polícia caso necessário, sem contar que chorei o dia todo do meu aniversário.

Quando se assume a posição de profissional, as pessoas acreditam no que você fala, elas respeitam a sua opinião e se seu animal estiver morrendo e você colocar a culpa em um veterinário que o atendeu há um ano, para uma DOAÇÃO de sangue, o cliente vai acreditar, ele precisa de alguém para colocar a culpa. 

Não sei se o animal morreu, antes dessa confusão toda, esse cão fez uma ultra-sonografia comigo que revelou aumento de baço, edema testicular, combinado à anemia poderia ser um parasita no sangue, como acontece na "doença do carrapato"... mas foi mais cômodo culpar a doação de sangue. Até meu laudo foi questionado e ridicularizado online. Eu não preciso dizer como eu me senti, sendo chamada de mercenária, queria o sangue do cachorro para vender.

Depois eu mandei um email para o rapaz, com artigos científicos falando sobre transfusão e agradecendo as doações em nome dos animais que receberam.

Ao amigo proprietário de cães: se seu animal puder salvar a vida de algum outro doando sangue, deixe, o veterinário não o fará se o seu animal não tiver condição. Confie!!

Ao colega veterinário, tudo que você fala tem efeito. Não critique o colega para o cliente, se for algo grave, vá ao conselho, converse com o colega, mas não denigra a imagem do outro profissional

Recomendo a Comunidade do Orkut: Veterinário Defende Veterinário

Recomendo (somente para profissionais)  a Comunidade do Orkut: Sou VET, Não São Francisco

Recomendo a leitura do Código de Ética da Classe Veterinária

Recomento a leitura de informações sobre transfusão sanguínea em cães


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