segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O dia que Raquele sumiu!

Quando a gente lida com animais, todo cuidado é pouco. É como uma criança que "cega" a gente. Há alguns dias eu fui fazer uma consulta, de uma gata, a Raquele. A dona chegou dizendo que queria fazer uma consulta oftamológica, que a gata estava com um "probleminha" nos olhos... e colocou a caixa de transporte em cima da mesa de atendimento. Então eu coloquei a caixa em cima de uma cadeira e disse: vamos fazer a ficha primeiro!
É basicamente isso, fazemos a ficha, fechamos a sala toda, colocamos o gato em cima da mesa e examinamos, depois guardamos o gato na caixa, abrimos a sala para não morrermos de calor e finalizamos a consulta...
Quando eu fui ver, a proprietária já tinha tirado a gata da caixa, querendo dar água para ela, e eu dizendo que ainda íamos fazer a ficha de atendimento,que ela tivesse paciência..
- Cadê minha gata?
Quando eu olhei, a Raquele estava na janela já ganhando sua liberdade, para nosso desespero.
Saí da clínica, gritei Denys, que largou o cachorro meio tosado, e fomos correndo atrás da gata...
A proprietária gritava, "Quelinha... fique parada" e a gata corria como louca em direção ao muro...
Quando ela subiu no muro, parou para pensar, e eu falando bem baixo: vamos fazer silêncio e chegar devagar...
"QUELINHAAAAAAAA"
"SHHHHHHHHHHHHHHHH... vamos fazer silêncio, senhora"
"QUELINHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA"
"Ah meu Deus,.. corre Denys, pega lá"
Mas antes dele agarrar a gata, ela já tinha pulado para o terreno ao lado.
O terreno do lado tem o tamanho de um estádio de futebol, está abandonado há 20 anos e toda mata atlântica já foi reestabelecida.
Para entrar lá só com facão, bota 7 léguas e sorte.

Nesse dia, Denys e eu passamos seis horas procurando a gata. A dona estava aborrecida, falou um monte de coisa para os estagiários sobre a sala não estar fechada quando ela teve a infeliz idéia de adiantar tudo e tirar a gata da caixa.
Eu entendo o aborrecimento dela, e ficaria muito triste se fosse minha gata. Se ela tivesse fugido das minhas mãos, do banho e tosa, eu ficaria muito aborrecida também. Mas só pelo fato da gata ter fugido antes da consulta, das mãos da dona, mas pela minha janela, me deixou preocupada e triste.
No final desse dia, a gente havia encontrado a gata nesse matagal seis vezes, e em nenhuma delas nós fomos capazes de capturá-la. Da única vez que Denys botou as mãos em Raquele, ela fez questão de deixar sua marca, para que ele nunca mais esquecesse.. e correu.

No final do dia, meus braços estavam arranhados e machucados por causa da cansanção, que é uma planta maldita, minha cara e meu colo vermelhos por causa do sol, minha tatuagem de gato queimada pela metade,fui para casa visivelmente exausta.

Beto ainda veio me dizer que eu deveria ter feito xixi em cima do braço para tratar as queimaduras de cansanção. Eu já saí de lá esgotada, arranhada, triste, arrasada, frustrada, e ele ainda queria que eu saísse mijada.
Essa história continua...

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Bridgit & Eu



Ontem eu assisti Marley e Eu no cinema. Acreditem, só chegou ontem no cinema aqui no interior da Bahia, e nem foi na minha cidade, foi na vizinha. Eu já sabia que eu ia chorar, mas assisti do mesmo jeito. O filme conta uma história linda do relacionamento de uma família inteira com um cachorro. No final é claro que eu chorei muito, ainda saí do cinema com raiva da veterinária do Marley, de mim que fui assisti já sabendo que eu ia chorar, da sensação triste que a perda de um cachorro traz.
De fato, perder um parente é muito ruim, um amigo, um amor, mas perder um cachorro é bem diferente de perder uma pessoa. Não é pior ou mais brando, é diferente. É um sentimento de vazio que a gente não imagina que vai sentir com a perda do animal, do companheiro.
Todas as cenas do filme são especiais, ele mostra com fidelidade o que é ter um labrador, e a participação do cão na vida da família toda. O final do filme é esperado, e tanto o dono, narrador, como a família conseguem exprimir exatamente o que costumamos sentir na mesma situação.
Claro que eu pensei na Bridgit, minha fox paulisitinha, cheguei em casa e abracei muiro minha bichinha. Hoje eu resolvi filmar uma parte do nosso café da manhã..
E, aproveitando que o Beto trabalhou hoje o dia todo e não lê o meu blog e hoje de tarde ela dormiu comigo na cama :)
Esse filme me acrescentou um pouco de sentimento no tratar dos animais que passam na minha mão, não posso me apegar, de fato, mas posso entender o sentimento do dono, que depois de um tempo, nós, veterinários, costumamos esquecer...

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domingo, 1 de fevereiro de 2009

A paca!


Durante o projeto TVT eu conheci várias pessoas. Começando com os estagiários. A maioria do segundo semestre, todos bem dispostos, aprendendo e perguntando várias coisas. Metendo a mão na massa. Muitos foram desistindo aos poucos, alguns continuam firmes até hoje, mas sempre tivemos ajuda, desde o princípio.
- Dra Alice, esses cachorros que vieram do Centro de Zoonoses, vão voltar para lá
- (resposta malvada) sim, vamos tratar e devolver, lá eles serão eutanasiados e pronto!
- Ohhhhhhhhhhhh (todos param e me olham) que que é isso, Dra Alice, nãoooo, vamos fazer uma campanha, vamos arrumar dono para o Toquinho, a Sarita, o Giva... tadinhos...
- (risada baixinha eh eh eh) Bom, façam o que quiserem!!
No outro dia já tinha até foto para colocar em um cartaz... mas claro que encontramos donos para todos... estamos trabalhando nisso pelo menos, ehehehe, para o CCZ eles não voltam mesmo.
O relacionamento com os donos também é muito interessante. O Luciano levou pra a gente uma cadela dele que estava com o TVT, um cachorro do primo e um cachorro do vizinho. Todos com o Tumor, que ele mesmo diagnosticou. Ele sempre arruma motivo para nos visitar. Prometeu levar banana da roça para mim e os estagiários. Quando a minha orientadora estava no consultório, ele falou que ia levar caça, uma paca.. quem que gostava de paca?
- (minha orientadora estarrecida) Não, senhor, não, ninguém gosta de paca não!! (já pensando em caça ilegal.. ibama, etc)
quando eu falo, bem baixinho:
- eu gosto de paca!

Num instante Luciano ficou feliz, disse que ia trazer a paca, e eu:
- Não, Sr Luciano, paca não, banana mesmo, paca não pode... não traga não, por favor, vai me complicar.(enquanto recebia olhares aborrecidos de 'mamãe' - como chamamos carinhosamente a nossa orientadora)

Depois ainda tomei um sermãozinho, básico, sobre caça ilegal, e combinei com Sr. Luciano que esqueceríamos para sempre qualquer assunto sobre PACA. Mas que é gostoso, é!

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