sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A volta do Diário de uma Veterinária no Dia do Veterinário

É Dia do Médico Veterinário de novo?
É sim senhor, dia 9 de Setembro. E como tal dia é tão importante para nós, às vezes só nos lembramos por causa das mensagens bonitinhas do Conselho e do chaveirinho de presente do representante de remédio, eu venho oficializar a reabertura do Diário da uma Veterinária. Esse é o meu presente para mim.
Foram mais de 365 dias longe daqui,  e estamos mais para Anuário de uma Veterinária do que para Diário.
Eu não vou também encher as vossas cabeças com explicaçõezinhas fajutas que justifiquem o bloqueio da escritora, até porque se eu for falar a verdade, verdade mesmo, eu terei que dizer que estive em coma e acordei em um apocalipse zumbi (juro).
Mas problemas apocalípticos à parte vamos ao que interessa. Saudade de vocês. Bastante. Até hoje temos muitas visitas no blog, e comentários. Sem contar a galerinha da pergunta, lá no Formspring, muito obrigada.
Espero que possa voltar com minhas histórias para entretê-los sem sofrer nenhum acidente posterior me que leve a abandoná-los novamente.
Lá vai eu mudando de assunto de novo, então, queridos leitores, eu estava sim com muita saudade de escrever no Blog. Muitas coisas mudaram na vida da veterinária aqui, nesse tempo. Profissionalmente está indo tudo de vento em popa. A clínica só crescendo, somos agora quatro veterinários por lá. Os atendimentos continuam bons, tristes, felizes, hilários, trágicos, como em qualquer clínica veterinária. E pessoalmente, bom, não pari, não casei, mas descasei, não me mudei, nem escrevi um livro. A árvore que eu plantei cresceu mas nunca deu as minhas tão sonhadas amoras. 
Além do blog, hoje eu já respondi 15 das 120 perguntas que me aguardavam no Formspring. A maioria delas é com filhotes mesmo, parece ser um padrão. Já falei pro pessoal, leiam e releiam o post Cuidados com o recém nascido que a maioria das coisas que eu respondo, está lá. 
Outra coisa, o Formspring não é uma solução para que não tem como levar ao veterinário, são apenas orientações, nada é prescrito por lá, NADA, eu preciso pedir aos usuários dessa ferramenta que não insistam, e aos mais bravos que deixem minha mamãe fora disso. A vida deve ser tratada com responsabilidade. Qualquer vida. E é irresponsabilidade prescrever sem examinar.
Mas voltando ao tão esperado dia do ano, o nosso dia, eu sei que mais um ano não ganharei presente, ou ligação. Mas já estou acostumada, no natal também é assim. Ligação de: "Dra, minha cadela acabou de entrar no cio, que dia eu coloco para cruzar?" eu recebo até às 4:00 da manhã. 
Morro de ódio das minhas colegas veterinárias de facebook, de outras cidades, que ganham flores, perfume, chocolate.... 
Massssss mesmo assim eu adoro o dia do Veterinário. Afinal de contas, os parabéns na verdade vem lá de dentro quando você olha para trás e aonde chegou, e pensa: Nossa, Alice, você trabalhou foi muito mesmo, parabéns. Se não tivesse certeza da sua profissão certamente não teria chegado aonde chegou, portanto, sinta orgulho desse sangue verde que corre nas suas veias e vai dormir um pouco que a sua cara está péssima.

Curtam a página da Clínica Casa do Bicho pessoal e até a próxima.

Fonte da imagem

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Doação de Cadelas - Ilhéus e Itabuna/BA



O Projeto TVT é um projeto que tem como objetivo testar fitoterápicos para o tratamento do câncer, esse projeto está sendo executado por uma equipe composta por mestrandos e graduandos de medicina veterinária na Universidade Estadual de Santa Cruz.
Muitos animais que foram abandonados nas cidades de Ilhéus e Itabuna (Bahia), por terem o Tumor Venéreo Transmissível, foram resgatados pela equipe do projeto e tratados.
Esses animais agora precisam de donos, são cadelas saudáveis e dóceis que vão demonstrar sua gratidão pelo resto da vida.

 
Quem tiver interesse, por favor, entrem em contato com as alunas responsáveis pelo projeto:
Allana Ferreira: allanaferreira@hotmail.com
Milena Torres: mtsouza12@hotmail.com
Lorena Andrade: lorepri_andrade@hotmail.com









Repassem essa mensagem para seus amigos

Muitíssimo obrigada, cada animal doado nesse projeto leva um pedaço de gratidão do meu coração







segunda-feira, 9 de maio de 2011

Dia das mães

Nesse dia das mães eu quero desejar a todas as mães de cães e gatos que são recebidas diariamente por pulos, festas, lambidas, miados, latidos e todas os outros comportamentos inerentes a cada espécie, casa, família e indivíduo em questão, que continuem exatamente felizes como são.
Desejo saúde aos seus rebentos.
É fato que um cão ou gato não substitui um filho e graças a Deus, a recíproca é verdadeira. Mas mãe todas nós somos, porque mãe ama incondicionalmente, sofre pelo seu filho e faz o possível para que ele seja e permaneça feliz.







Não se sintam ofendidas, mães apenas de bebês humanos, que nós também não nos sentiremos, mães de cães e gatos, quando fizerem as comparações. Porque a maternidade não está apenas no gerar e parir, falem aquelas mães que adotaram seu bebês humanos. Ou também não está na relação intraespécie (da mesma espécie) falem aquelas cachorras que adotam gatos, ou aquela tigresa que adotou porquinhos.
Eu não posso falar do amor de mãe pelo seu filho humano, com conhecimento de causa, pois não tenho. Mas posso falar sobre o amor que eu experimento e esse é 100% do que eu conheço, que é o que eu dei e dou e já recebi e recebo de todos os meus pets, é o que eu presencio diariamente na clínica de pequenos animais das minhas pacientes e seus rebentos.
Gostaria de agradecer a minha grande amiga Lyalilith, mãe de filha humana, gatos e cachorros, pelas imagens cedidas da sua mais recente ninhada de gatinhos. A Bela, gata cinza mãe, chegou na sua casa grávida, e foi adotada, sendo mãe de cinco gatinhos.
Feliz dia das mães






#Paz




Fonte da imagem da tigresa

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Dicas para estudantes de veterinária


Por que hoje todos querem um terceiro grau para fazer concurso?
Eu tenho alguns colegas que, depois de formados, já fizeram mais provas de concurso do que provas na escola.
Depois que eu me formei eu acho que fiz uns três. Um para a Vigilância Sanitária, um para professor substituto de Tecnologia de Produtos de Origem Animal e outro para, ... não, foram dois. É tanta prova que a gente faz e que estuda para poder alcançar um emprego melhor, que haja concurso! É da polícia, é de fiscal, é de agente sanitário, é do banco, é da prefeitura, é para professor... e por aí vai.
Estou agora prestando outro concurso, o de professor de Técnica Cirúrgica Animal e Prática Hospitalar.

Para quem atualmente faz veterinária e almeja ser professor universitário (ou não) aqui vão umas dicas:

- Participe absolutamente de todas as atividades extra-curriculares ligadas à veterinária, que você conseguir, é claro. Peça os certificados de participação. A maioria delas não é remunerada mas a experiência de participar dos projetos é excelente. Você aprende coisas novas e vai escolhendo a linha de estudo que quer cursar.

- Cola naquele professor que mais trabalha com pesquisa e é elogiado pelos seus colegas como sendo um bom orientador. Lembre-se, bom orientador não quer dizer orientador bonzinho. Na próxima vaga de iniciação científica ele vai se lembrar daquele aluno que está sempre à disposição, e te inscreverá no projeto.

- Não rolou de fazer iniciação científica remunerada? Seja colaborador apenas, seu nome entra num resuminho de congresso e assim você constrói seu Lattes.

 - Participe dos projetos de mestrado, pede para fazer parte da equipe nos projetos de doutorado, nas iniciações científicas, se candidate para monitoria das disciplinas.

- DESDE O PRIMEIRO SEMESTRE FAÇA ESTÁGIO EXTRA CURRICULAR NAS MAIS DIVERSAS ÁREAS... não entendeu? Deixa eu repetir...
DESDE O PRIMEIRO SEMESTRE FAÇA ESTÁGIO EXTRA CURRICULAR NAS MAIS DIVERSAS ÁREAS...
Estudante não tem férias, nem final de semana. Estudante não descansa, ele não precisa descansar. O tempo que você passa na faculdade é para aprender, otimize. Não fique para trás. 

- Participe dos congressos, encontros, simpósios, workshops que conseguir. Podem ser ligado à alimentos, saúde pública, parasitologia humana... o veterinário se insere em todos esses ramos. Se na sua faculdade não rola nada parecido, agite um evento com seus colegas, procure o Diretório Acadêmico. Selecionem um ou mais congressos por ANO para promoverem uma excursão. Façam chá de torta, bazar, pedágio, tudo para arrecadar grana e não deixe de ir.

- Quando já estiver próximo da formatura, com mais certeza da área que almeja trabalhar, procure fazer cursos, mas peneire bem o que pretende fazer. Curso é caro, veja as recomendações, reclamações. Não vá investindo à toa. Tenho uma lista de cursos que fiz e me arrependi de alguns.

- Vai fazer residência? Aonde? Quais as áreas de trabalho?
- Vai fazer mestrado? Doutorado? Aonde? Quais as linhas de pesquisa? Quem para te orientar? Procure saber logo.

- Estude sempre. Tenha o bom material sempre no seu micro e o melhor na sua estante. Não poupe em comprar livros (MedVetLivros, CenterBook, L.F. Livros de Veterinária) que valem a pena e NUNCA deixe os estagiários folhear sem supervisão. Passeie nos bons sebos, e nos ruins também. Já encontrei raridade de veterinária por aí, que ninguém acredita.

- E nunca se esqueça. Você está rodeado de colegas que pisariam na sua cabeça quando conseguissem a informação valiosa só para não dividi-la com você... não seja como eles. O conhecimento está disponível para todo mundo, o que vai diferenciar vocês é o seu caráter e esforço.

Ahhh sim, uma torcidinha para que eu passe no concurso, também tá valendo. A prova escrita foi hoje e a didática será dia 06/05/11 às 10:00h. Passar por essa etapa de hoje já foi uma grande vitória. Não precisa torcer pela vaga não, só sendo aprovada vai ser de graaaande valia.

Fonte da imagem utilizada


domingo, 17 de abril de 2011

A viagem

Como explicar o sumiço de uma blogueira veterinária? Não, não há muito o que dizer.
Não vale a pena escrever desculpas ou falar sobre o estresse no trabalho quando se ausenta daquilo que te faz tão feliz, como o Blog. Então, nada melhor do que contar uma história, enquanto pensamos que trabalho não é tudo, e saúde é fundamental.
Posso falar que estava trabalhando demais, mas não consigo me lembrar da última vez que não trabalhei demais, e mesmo assim o Diário Veterinária sempre tinha uma novidade.
Posso falar então que adoeci, mas até para isso eu gosto de parecer sofisticada, então inventaria um diagnóstico a la Doctor House que me levariam mais de dez artigos.
Então eu tomei uma decisão muito difícil, vou falar a verdade, eu fui estranhamente ABDUZIDA.
Como aqui é um lugar para contar histórias, eu vou contar o que aconteceu comigo.
Enquanto eu estava no trabalho, naquela penca de trabalhos em que eu me meti (gerente de um petshop em outra cidade, gerente e veterinária da clínica, responsável técnica pelos frigoríficos de pescado) eu acabei fazendo jus ao meu "jeito com as coisas" quando bati a cabeça e caí. 
Não sei se foi sonho ou realidade mas eu acordei dentro de uma gaiola, era uma gaiola grande e tinha mais umas três mulheres comigo. A gaiola ficava em uma sala com uma porta, janelas e mesas gigantes. As mulheres se pareciam comigo em altura, peso, cor da pele e dos cabelos, e elas estavam dizendo "Estou com fome! Estou com sede! Quero fazer xixi!".
Eu fiquei sentada no canto, sem entender. Às vezes elas olhavam para mim, às vezes elas brincavam entre si. Até que algo incrível aconteceu, um cachorro imenso entrou naquela sala, abriu a gaiola e pegou uma delas, que aparentemente ficou muito feliz. Eu não entendi o que o cachorro dizia mas ele saiu pela porta e não voltou mais. Eu dormi e acordei mais tarde, com um barulho e então já estava sozinha na gaiola. Dessa vez era um gato também muito grande, e me trazia um comedouro com pedaços de carne e pão. Eu comi tudo, estava com fome e sede, além de muito assustada. Comecei a chamar, gritei por nomes de pessoas que eu conhecia, chamei "cachorrão", "gatão", e nada. 
Eu queria fazer xixi mas ali tinham uns três penicos grandes e sujos. Na verdade aquela gaiola toda fedia e eu não imagino como consegui comer ali. Depois de umas quatro horas o cachorro voltou e me pegou nos braços. Ele era muito alto e eu fiquei com medo de cair. De repente ele enfiou a pata na minha boca, meus ouvidos e meu olho... começou a apertar minha barriga e eu gritei. Em seguida ele latiu, como se mandasse eu calar a boca. Então ele me pegou, e me jogou dentro de uma banheira. 
Uma cadela grande e gorda veio me dar um banho, me colocou uma roupa ridícula do Flamengo, me encheu de perfume e me entregou para uma família de gigantes Fox Paulistinhas.
Me colocaram em uma caixa escura mas eu até me senti protegida ali dentro. Depois de uns trinta minutos nós chegamos ao que parecia a casa daqueles cães. Eu estava com fome de novo, e sede, e sono e eles me tiraram da caixa, me colocando em cima de um grande colchão. Ali eu dormi.
Depois de um tempo, que eu não sei dizer o quanto, eu acordei com um barulho. 
Era uma ninhada de fox paulistinhas chegando, uns quatro que, apesar de filhotes, era muito maiores do que eu. Eles me puxaram, me jogaram uma bola colorida, depois outra bola colorida. Eu estava perdida, um deles me lambeu, o outro também, e eu procurei um lugar para me esconder. Não consegui ficar escondida por muito tempo, eles não me deixaram dormir, não me deixaram beber água, me viraram de cabeça para baixo. A cachorra mãe latiu de lá e eles correram para comer. Eu aproveitei a deixa para procurar um canto para fazer xixi e me esconder. Não encontrei nenhum penico pela casa, então fiz em um cantinho, e saí, mas dessa vez não fui para o colchão, tudo que eu queria era fugir daqueles cachorros, me escondi atrás de uns livros, aonde eu dormi com fome.
Acordei e estava tudo escuro, os cachorrinhos deveriam estar dormindo e vinha um cheiro maravilhoso do que parecia ser a cozinha. Fui seguindo o cheiro até uma cadeira imensa, a qual eu escalei e subi na mesa. Lá tinha uma espécie de torta, com carne, que eu comi quase a metade. Era muito grande.
Desci da mesa, e voltei para o meu cantinho.
Eu não sei o que aconteceu comigo mas acordei com uma dor de barriga insuportável. Se não havia penico para fazer xixi, imagine cocô? Tá certo, xixi evaporava, eu poderia esconder fazendo em um tapete mas,... êpa.. não dava mais para esperar, e era fato, eu estava com diarréia. Fiz pela casa inteira, deve ter sido aquela torta. E que sensação ruim, que porcaria, que enjôo... nãooo, eu também estava enjoada e agora havia vomitado pela casa toda também.
Não me lembro a hora que dormi mas me lembro dos latidos na hora que eu acordei. Os filhotes choravam olhando para mim, e uns três deles haviam pisado nos "presentes" que eu deixei pela casa. A cadela mãe vinha muito brava da cozinha, segurando a travessa com o resto da torta, que só de sentir o cheiro eu vomitei de novo.
O cachorro pai me pegou do chão e me colocou na caixa de transporte. Me levaram para passear de carro, um carro grande que balançava tanto que eu vomitei mais umas três vezes. Eu estava doente e aquela caixa, aquele carro, aquele cheiro, só me faziam ficar pior. 
Chegamos a uma espécie de hospital. Na recepção eu fui tirada da caixa e fiquei no colo do cachorro pai. Observei que tinha uma sala cheia de homens e mulheres tomando banho, as mulheres faziam as unhas e cachorrões e gatões arrumavam seus cabelos.
Do meu lado tinha cães e gatos, cada um com seu humano, e humanos de todas as idades, bebês, crianças, idosos, e eu.
Entramos no consultório e os cães pai e mãe conversavam em latidos com o cão médico. Devia ser algum tipo de veterinário para humanos. O que me fez pensar. Se esses cães e gatos ficam doentes, outros da mesma espécie tratam deles, porque não havia um da minha espécie para me tratar? Ao menos ele iria me entender, ouvir minhas queixas, tratar não só meus sintomas mas rapidamente saber minha doença. Depois de uns vinte minutos de latidos o cachorro médico, que era um chihuahua imenso (acredite), me pegou e me colocou sobre uma mesa fria. Latiu e vieram duas poodles rosas, que deveriam ser suas assistentes. Uma delas me pesou e eu prefiro não comentar qual era o meu peso, mesmo porque é uma história real, e não uma ficção. A outra veio com o termômetro, e foi quando eu gritei... Ahhhhh.... acho que desmaiei. 
As poodles ajudaram o chihuahua a me colocar no soro. Enquanto eu me estava sendo medicada, pude observar que o médico havia pego um mini vaso sanitário (mini para eles, para mim era o tamanho ideal) e dado algum tipo de orientação aos meus "donos". Também vi que ele mostrava várias embalagens de comida pré-cozida e ensinava os cães mãe e pai como preparar e me servir.
Depois de cerca de quatro horas eu já me sentia muito melhor, e as poodles vieram tirar meu cateter, me enrolaram em uma toalha e me entregaram para os cães pai e mãe.
Voltei dormindo para casa, e meus donos haviam comprado uns três vasos sanitários, duas caixas de cereais, lasanha pré-cozida, dentre outras coisas, isto é, comida de gente.
Ao chegar em casa, os quatro pestinhas correram na minha direção, quando a cadela mãe latiu e pareceu estar dando uma série de recomendações. Eu fiquei feliz pois ao menos naquela noite nenhum deles tentou arrancar a minha cabeça.
No outro dia eu acordei em uma cama normal, dentro de uma casa normal e pouco tempo depois eu percebi que estava na casa do meu irmão, em Brasília. Quatro meses se passaram desde o dia que eu fui abduzida e eu estava lá no Distrito Federal, em uma espécie de férias, junto com a minha família, e feliz.
Isso foi há cerca de duas semanas e eu já estou de volta em casa, pronta para voltar para à rotina, e com muitas lições aprendidas, dentre elas, a que eu preciso comprar um termômetro auricular para aferir a temperatura dos meus pacientes.

"No place like home"

Fonte da imagem utilizada
Fonte da imagem utilizada
Fonte da imagem utilizada
Fonte da imagem utilizada

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010


Nesse reveillon eu vou pular só duas ondinhas, para ver se minha vida fica mais sossegada. (@alicevet)
Finalmente chegamos no final de mais um ano, e esse não foi fácil. Quando eu chego no final de cada ano eu sempre penso se valeu a pena, e a resposta acaba sendo a mesma... MAS É CLARO.
Em 2010 eu terminei o mestrado e chorei, não de felicidade, mas de alívio, foi difícil demais.
Nesse ano eu também aprendi coisas novas, como a ecodopplercardiografia, o que complementou a prática de  imagem na qual eu já venho trabalhando.
A clínica cresceu em serviços, funcionários e pacientes.
Eu comecei em um novo emprego, a de gerente de um petshop na cidade ao lado, Itabuna.
Passeei em São Paulo três vezes (ADORO!), para congresso, cursos, para comprar o novo aparelho de ultrassom. Passeei no Rio uma vez. Sem contar os eventos mais próximos que eu participei.
Comecei a escrever para um blog só sobre gatos, o Tudo Gato.
Definitivamente 2010 foi um ano muito bom profissionalmente.
Hora de planejar 2011. Procurar novos cursos, congressos, passeio. A agenda veterinária já se cansou das minhas visitas. Nesse ano eu quero continuar a cuidar dos meus pacientes e leitores, mas principalmente, cuidar da cabeça da veterinária. Eu mereço férias. Mesmo que não suporte muito tempo sem começar novos projetos, eu preciso parar.
Infelizmente 2010 também é um ano de saudade e perda. Dos diversos pacientes que passaram nas minhas mãos e eu não pude ajudar, dois marcaram sem dó o caminho dessa veterinária aqui, são eles o Antônio e o Floquinho.

O Antônio e o Floquinho eram dois poodles brancos. Eles não morreram da mesma doença, mas foram internamentos sofridos para toda a equipe. Eu não sei se isso existe mas eram cães muito “gente boa”. Sabe aquele cachorro que é cachorro? Que chega na clínica e se dá bem com todos, até com o tosador “pirracento”? Que não avança, não fica pedindo colo o tempo todo, não chora, não late. Que balança o rabo depois que você coleta sangue da jugular, que aceita o seu carinho e que tem o mesmo amor incondicional pelo seu proprietário? Que no final das contas é tão gente boa quanto o cachorro.
Pois é, quero terminar 2010 assim, com muito mais experiência, conquistas, trabalho e saudade daqueles que foram, em especial o Floquinho e o Antônio.

Feliz 2011 a todos

Fonte da foto: Arquivo pessoal do dono do Floquinho

sábado, 18 de dezembro de 2010

Veterinário também gosta de ganhar presente


Pois é, gente, eu não passo por aqui há um tempão. Não é culpa do Tudo Gato, rs, onde eu publico colunas quinzenais sobre os felinos, a culpa é do trabalho mesmo.
Mas, se não fosse esse trabalho, o blog não existiria, ou se chamaria "Diário de uma desempregada".
Eu ensaiei uma postagem por semana, quando perdemos um paciente muito querido, o Antônio, ou quando me indignei com um proprietário que não quis tratar a doença de pele do cachorro sob o pretexto que daria trabalho e voltariam as lesões, dentre outras situações. São postagens parcialmente escritas mas nunca publicadas, ainda...
Hoje eu não pude deixar passar o acontecimento. Ganhei um presente de natal de uma cliente, dona de dois felinos e estudante de veterinária. Achei uma gracinha porque ela nos presenteou com uma caixa cheia de bombom, e um tigre de pelúcia que rosna.
Vou aproveitar a oportunidade para deixar a minha mensagem de natal, e um videozinho do Panda e da Sushi mostrando como funciona o natal lá em casa.
Aos meus colegas eu desejo paz em 2011, muito trabalho e menos calote de cliente. Desejo serenidade nos atendimentos, firmeza nas decisões importantes, um sopro no ouvido daquele anjo da guarda, o mesmo que  ajuda nas veias mais difíceis de cateterizar.
Aos meus pacientes eu desejo saúde, sempre, para que eu não perca nenhum na minha mesa. E vou sobreviver de quê? Oras, sempre tem um doente que não é meu paciente ainda. Desejo também que errem todas as tentativas de mordida e arranhões.
Aos proprietários desejo que tenham paciência e perseverança nos tratamentos, podem descontar em mim mas façam tudo que eu pedir. Não se esqueçam de contar a história completa e falem sempre a verdade, por favor. Desejo também que sejam cada dia mais ricos, eheh.
Aos meus leitores eu só tenho a agradecer a fidelidade e pedir humildemente que continuem a ler e comentar o Diário Veterinária, que só existe por causa de vocês.




Feliz Natal

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Cuidados com os cães recém-nascidos


Quais são os cuidados que devemos ter com os cães recém-nascidos?
A princípio nenhum, afinal quem tem esses cuidados é a cadela. O mínimo que precisamos prover é um ambiente limpo, seco, ventilado, protegido da chuva, frio e predadores (lê-se outros animais e crianças). Mas o que fazer quando a mãe morre ou rejeita os filhotes, e a ninhada passa a ser sua responsabilidade? Não adianta chamar os cachorrinhos de batata-quente um, dois, três, quatro e cinco e deixá-los à mercê do próprio destino.
Certa vez eu atendi um filhotinho de poucos dias que veio com o histórico: Doutora, seguinte, ele é o menor da ninhada e estava chorando muito ontem. Eu o separei da mãe e dos irmãos e o tranquei no carro mas fiz uma promessa, se ele amanhecesse vivo eu o traria. Pelo que a senhora percebe ele amanheceu vivo, então eu trouxe.
Mas esse não sobreviveu, e eles não sobrevivem sem suporte, vejamos porque:

TEMPERATURA:

Do nascimento até três semanas de idade, o filhote não é capaz de regular a temperatura corporal. Se ele não tiver sendo aquecido pela mãe, em pouco tempo a sua temperatura corporal cai. Somente com quatro semanas de vida o filhote é capaz de manter a temperatura corporal tal como o cão adulto, entre 38 e 39°C. Você deve manter o cãozinho recém-nascido aquecido a uma temperatura corporal entre 36 – 37°C. Para isso você vai precisar de uma caixa de papelão, uma toalha, jornal e um abajur. Deve-se então forrar a caixa de papelão com jornal, dispor a toalha como se fosse um ninho, mantendo o cachorrinho envolvido, e o abajur sobre a caixa, com lâmpada incandecente. Não podemos nos esquecer que a temperatura ambiente varia absurdamente nas regiões do Brasil, podendo derreter o cérebro do veterinário de Fortaleza ou até congelar daquele de Botucatu (não exemplifiquei com o sul do Brasil pois nunca estive por lá, só Deus sabe como vocês sobrevivem aí embaixo). Deve-se atentar que cerca de 80% do filhote é composto por água e pode desidratar rapidamente, portanto o ambiente não pode também estar muito quente, sendo respeitada a temperatura corporal de 36 – 37°C. Na terapia intensiva na clínica veterinária  pode-se evitar essa desidratação lambuzando o filhote com óleo johnson sem perfume, ou óleo mineral. É mais difícil avaliar desidratação em filhotes recém-nascidos, uma forma segura é passando o dedo na mucosa oral, que deve estar úmida e não ressecada. Muito cuidado para não superaquecer o filhote, ele não tem a capacidade de se afastar do calor sozinho.

TROCAR A FRALDA:

Um bebê deve ter sua fralda trocada sempre que urina ou defeca mas no cachorrinho recém-nascido isso não é possível. Para entendermos o nosso papel nesse cuidado é precido entender o comportamento da cadela. Para manter os filhotes e o ambiente limpos, e não atrair predadores, a cadela lambe a vulva/pênis e ânus dos filhotes e só após esse estímulo que eles vão eliminar fezes e urina. Não, você não vai precisar lamber o filhote, mas deve usar um algodão umidecido e, gentilmente, simular a lambedura da cadela. Esse procedimento deve ser realizado em cada filhote pelo menos 10 vezes no dia. Se você encontrar fezes e urina no ninho é porque não está estimulando a eliminação de fezes e urina o suficiente. Quando não suportar mais o filhote vai eliminar sozinho mas isso não é o ideal pois causa dor, estresse, retorno de urina para os rins e cólica intestinal. Esse procedimento deve ser realizado durante as primeiras 2 semanas de vida do filhote.

ALIMENTAÇÃO:

Até aqui vimos que tal como os bebês humanos, os bebês caninos também precisam ser aquecidos, defecam, urinam, gritam (não como os humanos) e comem.
Atualmente temos no mercado algumas marcas de leite substituto canino em pó (PetMilk) ou líquido (Milk Bomguy). Um filhote de 400 g deve receber em cada refeição de cerca de 15ml de leite, perfazendo um total de 90 a 120 ml por dia. Entretanto há uma variação na concentração de nutrientes em cada leite comercial e deve-se respeitar a quantidade recomendada pelo fabricante. 
Caso não haja leite substituto canino comercial disponível, o veterinário responsável pela ninhada irá prescrever uma receita caseira a depender da disponibilidade do proprietário e da região. Não adianta prescrever ingredientes que não serão encontrados. 
Uma receita bastante utilizada para filhotes de cães é (BRETAS, 2003):

4 gemas de ovo; 
610 ml de leite integral; 
3 colheres de sopa de creme de leite; 
100 ml de água; 
10g de suplemento vitamínico-mineral para cães em crescimento; 
5g de calcáreo calcítico 

As refeições devem ser divididas e realizadas a cada 3 horas, todo leite que sobrar de cada mamada deve ser descartado e uma nova receita ou mistura preparada na próxima refeição. O leite deve estar aquecido a uma temperatura semelhante à temperatura corporal da cadela (entre 37 – 38,5°C). Se o leite for administrado frio ou gelado, vai também baixar a temperatura do filhote.
As mamadeiras usadas devem ser aquelas próprias para filhotes de cães e gatos pois possuem um bico adequado para a abertura da boca do filhote. Mamadeiras de recém-nascidos humanos também podem ser utilizadas, pois possuem um bico menor, entretanto deve-se atentar para a abertura de saída do leite. Essa abertura deve ser tal que ofereça resistência para o filhote e ele tenha que sugar com mais força. Se o furo no bico da mamadeira for muito largo o filhote vai engasgar e aspirar o leite. Para testar o tamanho ideal do furo vire a mamadeira de cabeça para baixo. Se o leite fluir livremente, então o furo está muito largo. O leite não deve pingar livremente e somente quando levemente pressionado o bico da mamadeira.      
O filhote deve ser posicionado de bruços para a mamada, e a mamadeira deve ser posicionada de forma que o filhote tenha que levantar a cabeça para mamar. Posicione também a sua mão para oferecer apoio para as patinhas anteriores do filhote, pois ele faz movimentos com as mesmas como se estivesse estimulando a mama da mãe para a saída do leite.

VISÃO:

Os filhotes abrem os olhos por volta dos 10 a 14 dias de vida. Apesar de abrirem os olhos eles só passaram a distinguir profundidade e distância com maior definição aos 3 meses. Devido à sensibilidade à luz, deve-se evitar luz direta nos olhos dos filhotes até as 4 semanas de vida.

DESMAME:

O desmame pode ser iniciado em filhotes a partir de quatro semanas e será completado quando o filhote atingir de 6 a 8 semanas.
O ideal é a utilização de papinhas de desmame para os filhotes e várias marcas estão no mercado (Papinha de desmame Premier, Papinha de Desmame Max). deve-se obedecer as indicações do fabricante. O desmame também pode ser realizado oferecendo ração em latas para filhote, aquecida, e misturada ao leite substituto. Essa refeição será gradativamente mudada para ração para filhotes.

A responsabilidade do proprietário dos cães também envolve a escolha do novo lar, socialização do filhote, vermifugação e vacinação. Assuntos que abordarei no próximo artigo.

Literatura recomendada:


terça-feira, 28 de setembro de 2010

Bem vindos ao mundo, e agora?

Escrever sobre cães com doença, procedência, raça e idade diferentes fez do Diário Veterinária meu cantinho preferido. No mês de outubro eu estou começando uma série de artigos que vão falar sobre a minha experiência com esses companheiros desde o nascimento. O objetivo será compartilhar histórias e orientar sobre as fases da vida do cãozinho, no que diz respeito aos cuidados do proprietário e clínico.
Não há melhor forma de começar como falando do nascimento.
Nessa semana nós fizemos mais uma cesárea. 
Paciente: canino, fêmea, teckel, cerca de 60 dias de gestação. Foi coberta para reprodução no intuito de venda dos filhotes.
Queixa: o proprietário não sabia qual era a data da cobertura, o animal não entrou em trabalho de parto, apresentava secreção vaginal há dois dias.
Nesse dia eu fui para a clínica, avaliei a paciente, fiz uma ultrassonografia. Os filhotes apresentavam bom desenvolvimento, batimentos cardíacos presentes e rítmicos (220 bpm), compatível com gestação a termo.
O que você, colega veterinário, deve fazer?
A pergunta do proprietário foi: Vai ou não fazer a cirurgia? Você que é o veterinário, deve dizer se deve ou não.
A minha pergunta foi: Você, que é o proprietário, e criador, quem deve me dizer quando ela cruzou.
Na ultrassonografia nós fazemos diversas medidas, avaliamos o desenvolvimento e condição dos fetos, aspecto geral, órgãos formados, e podemos predizer o tempo de gestação. Entretanto a estimativa vai variar de 2 a 5 dias. Sem contar que o tempo de gestação na cadela também varia de 57 a 65 dias, porque vai depender de quando houve a cobertura, o pico de LH (hormônio que vai estar em níveis elevados, levando à ovulação) e da viabilidade do sêmen, que pode "sobreviver" até 5 dias na fêmea. Então não depende somente do dia que ela cruzou mas sim do dia que ela ovulou.
Parto prematuro por um ou dois dias pode diminuir as chances de sobrevida dos filhotes. Problemas respiratórios, ausência dos cuidados da cadela e falta de produção do colostro são alguns aspectos que devem se considerados quando  decidir se é hora ou não de intervir. A secreção vaginal enegrecida que a cadela apresentou é evidência de separação placentária portanto, nesse momento, os batimentos dos filhotes e temperatura da mãe devem ser monitorados para decidir o melhor momento de operar.
COLEGA, NÃO REALIZE A CIRURGIA BASEADO NA ANSIEDADE DO PROPRIETÁRIO.
No segundo dia nós fizemos a cesareana.
Nasceram 6 filhotes com bom desenvolvimento e vivos.
 Filhotes com 1 hora de nascidos, sobre o colchão térmico para manutenção da temperatura
 Eu, os filhotes e o Dr Fábio, que auxiliou na cirurgia
 Eu (upando fotos), filhotes e a Dra Renata

Algumas cadelas podem rejeitar os filhotes depois de uma cesárea. Isso não é incomum, então, sempre devemos alertar os proprietários sobre essa possibilidade. Nesses casos deve-se então medicar a cadela para que deixe de produzir leite e ensinar os proprietários sobre os cuidados intensivos que os recém-nascidos requerem.
Mas isso é o assunto para o próximo artigo, Cuidados com o recém-nascido (órfão ou não).
Leia também:
Operando também?
Choque séptico
Um parto
E mais informação:
PHYSIOLOGY OF PREGNANCY AND ANESTHESIA FOR CESAREAN SECTION IN DOGS
Elective Cesarean Sections: Risks, Planning, and Timing


OBS: A cadela do caso tratado no artigo não só rejeitou como matou 5 filhotes quando foi para casa. O último filhote foi separado e será cuidado pelos proprietários.

Confiança no Veterinário

Hoje eu vi uma atualização no Facebook de um colega veterinário. Provavelmente estava em casa, descansando com a família quando um amigo apareceu para o atendimento do seu gato. Ele reclamava: "Ele se aproveita porque sabe meu endereço e vem aqui, isso não está certo, procure uma clínica de plantão."
Eu não sei o quanto eu estaria aborrecida com esse amigo também se eu tivesse relaxando em casa mas precisamos separar o que é confiança e o que é conveniência.
Tenho uma cliente que, durante outro plantão, foi atendida pela Renata. O atendimento foi o mais completo possível mas eu pedi que os retornos fossem comigo, e a Renata não se incomodou. A proprietária estava com aquele olhar de "Por que não é o seu plantão?", sempre dirigindo as perguntas a mim (que estava lá de passagem). Eu sei que ela  vai se sentir mais à vontade comigo, até conhecer o resto da equipe e passar a confiar também. O mesmo acontece com diversos clientes da Renata:
- Alô, por favor, Dra Renata se encontra?
- A Dra Renata não está de plantão, posso te ajudar?
- VOCÊ??? Não.. (risos) ... obrigada.

Não me sinto ofendida de forma alguma. Como clínica eu não entendia porque esse ou aquele cliente queria falar comigo, ser atendido por mim, mas hoje eu vejo de forma diferente... porque até eu só levo meus animais para o veterinário que eu confio.

Então eu postei uma mensagem privada para esse colega:
Meu amigo, isso não é folga, ele confia em você, e confiança é algo que demoramos para conquistar e perdemos em um segundo. Parabéns, continue fazendo o bom trabalho que você faz. 
E ele me respondeu:
Alice, você não é calma assim, estou te estranhando. Bjs

Então nasceu o  tweet: (@alicevet) me chamaram de calma, conformada, relaxada, centrada e sã. Eu to trabalhando demais, está afetando até o meu gênio.

Como eu sempre concluo as respostas no Formspring: Leve o animal no seu veterinário de confiança, e confie no seu veterinário.

Fonte da imagem


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Template do Blog

Na semana passada eu mudei o template do Diário Veterinária para um mais limpo, e provisório.
Até que o Rodrigo, o designer da clínica, e amigo pessoal, desenhe a nova imagem do blog e eu possa então criar o template definitivo.
Vou fazer uma camisa com a imagem também, para usar na Pet South America.
Por falar nisso, alguém vai?

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Operando também?

Atendi um cãozinho, ele tinha 13 anos e estava com insuficiência renal aguda. Apesar do tratamento ele morreu em poucas horas. Para ser mais precisa ele deixou de sofrer em um sábado à noite, às 21 horas. Sendo o meu plantão, eu falei com o proprietário que o Kiko não havia resistido, e que eu sentia muito. E sentia mesmo. Foi uma semana difícil, muito trabalho, por mais que se dedique a gente sempre tem a impressão que deveria ter se dedicado mais. Não é fácil ser a Amélia, a mulher maravilha e no fim das contas ainda se sentir maravilhosa.
Não, o animal não morreu por falta de atendimento ou de dedicação do proprietário. Foi a doença que o matou, e a idade não ajudou na recuperação. Por mais que eu saiba disso, não é fácil terminar a semana assim.
No domingo, sem folga, eu fui para a clínica. Havia muito para terminar, prontuário para finalizar, e arrumar a clínica para mais uma semana.
Me telefonaram, havia uma cadela em trabalho de parto há 24 horas, sem sucesso. A cirurgiã da clínica estava viajando. Só estávamos eu e outro veterinário, que auxilia nas cirurgias. Eu disse: tudo bem!
Depois do exame físico a recomendação era a cesareana. Segundo a ultrassonografia havia dois filhotes, sendo um deles vivo. E na indução anestésica, foi tudo certo. Pronto, em um dia comum é até aí que eu vou, mas nesse dia eu precisava ir adiante.
Chamei o Fábio, que me ajudou na cirurgia. Beto estava lá para ajudar também, fez o papel de pediatra, mantendo o filhote aquecido enquanto operávamos. Então estávamos nós 20 na sala. Eu, Fábio, Beto, a cadela, o filhote, meu anjo da guarda, e os 14 anjos da guarda dela.
No domingo à noite eu estava com a cadela e o rebento em casa. Todos passando bem e passam bem até hoje.
Das mil formas que eu imaginei em começar essa semana, a última delas seria fazendo, com sucesso, minha primeira cesareana.



OBS: desculpem a cara de cansada,

domingo, 19 de setembro de 2010

Era uma vez um Boxer

Era uma vez um boxer que nasceu fraquinho. Ele era o menor da ninhada e seus irmãos não o deixavam mamar. Sobreviveu como pôde e no final do desmame os mais fortes foram embora, e ele morou com o papai e a mamãe. Difícil era a vida até então mas a ração ele já conseguia comer sem disputar.
Até que uma noite estava frio e ele dormiu embaixo daquele carro bem quentinho. No sono profundo ele não percebeu que o carro ia saindo até quando passou por cima dele acidentalmente. Os mestres do papai e da mamãe prontamente levaram o refuguinho para o doutor, que tratou de colocar as "peças" no lugar. Acharam que não fosse sobreviver e ele pensava "não, gente, ainda sou bebê, ainda tenho que brincar, ai ai ai... tá doendo... bola? isso é uma bola? ahhh, não consigo brincar agora, vou dormir, amanhã eu brinco". E decidiram chamá-lo Bolinha.
E o Bolinha cresceu. Não corria como os outros mas corria como podia. Brincava, o tempo todo que estava acordado, cheirava os cantos, as pessoas, as plantas... mas não mais os carros. Corria com uma cadência própria, meio de lado, como se mancasse e rebolasse mais que qualquer outro boxer.
Então um casal de mestres resolveu levá-lo para outra casa. Agora a casa era só dele. E ele tinha um espaço enorme para cheirar e descobrir, e novos mestres para amar. Então depois de pouco tempo chegou outro cachorro, todo desarrumado. Ele parecia ter nascido errado porque não tinha o focinho achatado: "Veio estragado de fábrica", pensou o Bolinha, e seus mestres resolveram chamá-lo de Pequeno.
Um dia o Bolinha ficou com um dodói na cabeça, que coçava, coçava, e nunca sarava. O mestre levou no doutor de novo que tratou de dar para o Bolinha o capacete mais legal que qualquer boxer poderia ter. Era difícil dormir ou comer no início, e se antes o Bolinha não identificava de onde vinha o chamado, agora então que era mais complicado. Mas o Pequeno invejou aquele capacete e o Bolinha se sentia mais especial. A mestra insistia em chamar aquilo de colar elizabetano, e o Bolinha pensava "colar é coisa de menina, isso é o capacete da sabedoria". 
Todos os dias os mestres passavam pomada no dodói para melhorar e quando eles se afastavam o Bolinha perguntava para o Pequeno: E aí, melhorou o dodói?
"Não, não sei, não dá pra ver, tem uma coisa branca em cima, deixa eu lamber pra tirar"....... "pronto, tirei... não, Bolinha, não melhorou ainda, mas tá quase."
Então a irmã do mestre, que também era doutora, falou que o Bolinha tinha que tomar um comprimido duas vezes por dia, e usar o capacete da sabedoria mais tempo. Mas também ela era ruim, furou o Bolinha, tirou sangue dele para fazer um exame e os mestres ficaram apreensivos. O Bolinha agora chamava os remédio de pílulas do poder. E o Pequeno não tinha inveja, mas muita admiração por aquele irmão mais velho.
Depois de uns dias os mestres do Bolinha estava muito felizes, o dodói já havia sarado e eles abraçaram os dois, dizendo: Que bom Bolinha, você não tem leishmaniose, que felicidade. O Bolinha pensava: "Mas é claro que eu não tenho, ninguém me deu isso, você tem, Pequeno?"
"Não, Bolinha, não tenho também, ahh, ninguém me dá nada".
E eles continuaram o dia a dia, agora sem o capacete da sabedoria ou os comprimidos do poder mas o Bolinha havia completado o ciclo do crescimento, era oficialmente o chefe daquela matilha de dois cães, e um gato como intruso.
A mestra até que deixava o bando entrar em casa quando o mestre não estava, mas eles sabiam que deveriam sair e cuidar de todo espaço lá fora. Essa era a função deles. Cuidar da casa que lhes dava tanto amor.
Então uma noite os mestres saíram e os deixaram em casa. Já estava bem tarde quando o Bolinha ouviu um barulho. Era alguém entrando na casa deles, sem ser convidado. Um convidado nunca tentava entrar pela janela, e o Bolinha não pensou duas vezes quando mordeu aquele homem indesejável. Na verdade considerando a raça, o Bolinha nunca pensou duas vezes em nenhum momento na vida. 
O homem então gritou, tentou afastar o Bolinha, que chamava de boca cheia: "Vemm Pequeno, não deixe esse homem entrar na nossa casa." até que PÁ!. Foi um barulho muito alto, e o Bolinha sentiu uma fisgada no pescoço. 
Com a boca cheia se sangue, sem saber se era dele ou do homem, ele não soltou, e o homem ainda gritava quando o Bolinha enfraqueceu e o deixou partir. "Vem Pequeno, vamos atrás dele, ele não pode fugir"... mas o homem já ia bem longe, e o Bolinha ficou cansado. 
Já bem distante da casa, os dois viram quando o homem ia embora e o Bolinha sentou-se. "Vamos ficar aqui, Pequeno, vigiando, ele pode voltar" 
"Bolinha, aquele homem te machucou"
"Não importa, Pequeno, senta do meu lado que eu vou te contar uma história.... 
Nem sempre eu fui o chefe da matilha, na verdade eu era o menor de todos e ninguém acreditava que eu fosse sobreviver. Quando o carro passou por cima das minhas pernas eu fui levado para um doutor que me deu um remédio para dormir enquanto me consertava. Nesse dia eu sonhei com um homem que me disse: 'Bolinha, seja forte, porque você tem uma missão. Você vai ter uma vida mais difícil, mas será muito feliz. Você vai viver com uns mestres que te amarão profundamente e vão cuidar para que você cresça forte e saudável. Bolinha, na verdade você será o dono deles e terá que cuidar deles para sempre. Um dia vão tentar  machucar os seus mestres, invadir a casa deles e será sua missão não deixar que isso aconteça. Bolinha, se você falhar, o homem ruim vai esperar seu mestre voltar para casa e machucá-lo muito, e cabe a você não deixar que isso aconteça. A sua vida na Terra, Bolinha, vai ser abreviada nesse dia, mas você continuará presente como um anjo daquela família. Lembre-se Bolinha, seja forte, você não pode falhar.'
E foi assim Pequeno, por isso que eu sempre usei o capacete da sabedoria, e tomei as pílulas do poder. Para ser forte e hoje passar para você a sua missão. Eu agora preciso dormir, estou cansado, fique aqui do meu lado, fique vigiando esse lugar. Agora, Pequeno, eu passo para você a missão de cuidar dos mestres. Na terra. E eu estarei presente também, você só não vai me ver sempre, mas de vez em quando. Se bobear, eu como a sua ração... eh eh eh."
"Entendi Bolinha, chega pra lá, vou deitar aqui do seu lado, fico com você até você dormir. E quando o mestre chegar eu vou contar para ele onde você está, para que ele possa te levar para casa."

Este post foi dedicado ao meu irmão e sua esposa, que perderam seu companheiro, o Bolinha, na madrugada de 18/09/2010, em uma tentativa de assalto. Sejam fortes e lembrem-se que ele estará sempre presente.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

I Workshop sobre Ciência Animal na Bahia


O programa de mestrado que eu cursei está promovendo o I Workshop em Ciência Animal. Para os profissionais e estudantes da região eu recomendo que participem.

O Departamento de Ciências Agrárias e Ambientais (DCAA) da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) por intermédio de professores e alunos do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal, estará realizando no período de 20 a 22 de outubro de 2010, o I Workshop sobre Ciência Animal na Bahia.
Este evento abrangerá 17 temas importantes relacionadas com inovações científico-tecnológicas e os desafios para a ciência animal nos trópicos, que serão abordados por renomados pesquisadores de diferentes instituições de ensino e pesquisas.
Objetiva-se promover o encontro das diversas áreas da ciência animal para oferecer a estudantes, pesquisadores, profissionais e produtores rurais, maior suporte técnico-científico, bem como uma oportunidade de atualização dos seus conhecimentos, como os avanços que vêm ocorrendo no setor.

Leia mais em

http://www.cienciaanimaluesc.com.br/

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Anuário, mesário, diário, horário

O Diário Veterinária, que foi criado com o propósito de descrever de forma descontraída o dia a dia do médico veterinário, está há quase 2 anos no ar.
Nesse tempo houve diversos acessos no Brasil e no mundo e a colaboração com muitos comentários dos fiéis seguidores.
Sem contar aqueles que entraram em contato por e-mail e formspring.
Hoje eu criei outra conta no TWITTER que vai concentrar informações de veterinária, mostrando que o diário também pode se um horário, ou minutário, e até segundário.
Acompanhem no Twitter @diariovet

GEEK CATS

Conheçam o portal GEEK CATS que expõe de uma forma descontraída o comportamento desses felinos que alegram a vida de muitos gateiros e veterinários. Segundo o site Mundo Tecno o blog é escrito pelo casal Michelle e Leandro que produzem quase que diariamente tirinhas de humor com histórias de seus próprios gatos, o Mike, a Nina e a Isis. A história do blog e do humor começou quando a paixão de Michelle em desenhar se uniu ao talento de escrever de seu marido, que cuida da divulgação, da parte técnica do blog e outros assuntos que não o próprio desenho.
Hoje o blog é uma terapia de casal, que os uniu mais e mostrou como respeitar o trabalho de cada um e apoiar um ao outro. Tão importante é o blog na vida do casal, que o Leandro está fazendo seu MBA com base nele!
Fonte da tirinha.
Tenho o prazer em divulgar o Portal:

GeekCats

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Boxer - Veterinária - Gato

Eu tenho uma boxer, a Rebeca. Eu não sei o quanto ela evoluiu desde que nasceu mas, vamos considerar que a vida de um cão dure 13 anos: O quanto se evolui nesse tempo? Hoje ela tem quatro anos, e vive em regime de liberdade, isto é, tem acesso à minha casa e ao quintal, mas prefere ficar na varanda. Ontem eu cheguei de carro e ela veio me recepcionar. Como sempre o ritual é o mesmo, ela pára do lado do carro e fica olhando para a porta de trás, esperando que eu saia para poder me cheirar. Mas, como motorista, eu estou na porta da frente, a vendo  olhar fixamente para porta de trás. Então eu abro um pouco o vidro e a chamo, quando ela olha para trás, para cima, dá dois pulos e corre pelo quintal. Em poucos segundos ela volta e pára ao lado do carro, olhando para a porta errada. Qual não é sua surpresa quando eu saio pela porta da frente e ela vem me cheirar. Cheira a roupa toda, as mãos, o sapato, a sola do sapato, e pára, me olha, como se perguntasse: É minha mãe mesmo? E cheira de novo. Depois seguimos para a casa e nesse trajeto ela vem pulando ao meu redor, e se contorcendo toda.
De longe estão os gatos, só olhando a situação e provavelmente pensando: A qual papel se presta esse cão? Eles não têm muita paciência, são três, a AK47, o Panda e a Sushi. A AK47 só aparece para comer, reclamar com o Panda e, quando está de muito bom humor, recepciona meu marido no carro. O Panda brinca com todos pela casa, come e briga com o gato do vizinho. E Sushi é mais carinhosa, fica à vontade pela casa e adora me amassar quando eu estou no sofá ou deitada na cama. Pode me amassar por horas seguidas.




E no meio dessa cadeia de evolução espiritual estou eu. É, porque se eu for acreditar que um espírito passa por várias encarnações, sendo humanas e animais para atingir um nível tal e considerando o cenário acima eu digo que o espírido vem novinho em folha como um boxer. Porque ele é feliz, ele ama, ele não pensa muito, ou nada. Ele se envolve, não enxerga o que é feio nos outros, é empolgado e otimista, é impulsivo e não é sábio. Quando ele decide virar-se e correr para a porta em 90% das vezes há um obstáculo que ele se bate no caminho.
Depois o espírito volta como um humano, provavelmente veterinário. Aos poucos descobre que o cérebro serve para pensar e ele pensa muito nos outros. Também tende a acreditar nas pessoas e já não se bate em 90% das vezes nos obstáculos. Até desvia deles se tiver um pouco de prática. No início da profissão o veterinário vai pensar mais nos outros do que em si próprio, até que, com o tempo, ele vai aprender que pensar nos outros deve se limitar aos animais, porque uma parte dos humanos é adorável, mas outra não está nem aí para todo o seu esforço e dedicação, muito menos para o próprio animal.
Depois ele volta como um gato para encerrar no auge  da sabedoria e um pouco de intolerância. Ele observa mais, talvez por ter se entregue tanto em outros momentos, agora ele precisa de mais confiança. Ainda mete os pés pelas mãos mas sempre cai em pé e com elegância, a ponto de, apenas se você conhece-lo muito bem, saberá que algo saiu errado. O gato também ama mas não faz mais o papel de bobo. Ele acredita que o mundo ainda precisa evoluir para ser considerado um lar, mas esquece de todas as teorias e paradigmas quando encontra um colo quente.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Curso de Ecodopplercardiograma


Em continuação ao post Ecodopplercardiografia...
Depois de trocarmos o aparelho de ultrassom por um que tivesse a ferramenta de doppler colorido, eu precisei fazer um curso de ecocardiografia, não adianta ter e não saber usar.
Confesso que até o dia do curso eu ligava o doppler para verificar circulação nas estruturas, para a tela ficar mais colorida e fazer o barulhinho do batimento do coração do cachorrinho.
Então eu procurei uma série de cursos sobre o assunto na internet e encontrei alguns bem interessantes:

Kardiovet
Provet
Echoa

Decidi fazer o curso do Instituto Kardiovet, que aconteceu de 26-30 de Julho/2010, em São José do Rio Preto. Enquanto eu procurava por hotéis e passagens de avião, me peguei várias vezes digitando São José dos Campos e até a data do curso, eu ficava com medo de acabar indo para o lugar errado.
Fiz uma pesquisa e segundo o mês do ano, considerando o estado de São Paulo, eu sabia que estaria frio. Só não pesquisei a meteorologia, parecia óbvio. Quando cheguei em São José do Rio Preto percebi que aquela cidade é uma exceção no frio, e os 27 kg em casacos que eu levei me serviram para dar trabalho e destruir a minha mala.
Por contato pela internet eu conheci outros dois colegas do curso e o terceiro eu conheceria no primeiro dia. Esse em questão errou a cidade e foi parar em Ribeirão Preto e, depois de uma noite no taxi, conseguiu chegar a tempo de pegar a primeira aula.
Acabamos ficando no mesmo hotel, no centro, que estava a 12 reais do curso, ao lado de um MC Donalds, 200 farmácias e bons restaurantes.
Eu achei que fosse encontrar bastante dificuldade no curso porque, apesar de ser em imagem, a minha experiência em cardiologia é limitada. Entretanto não foi tão difícil quanto eu imaginava. Na realidade foi muito fácil e divertido.
O curso foi muito interessante porque não abrangeu somente a técnica mas também o caso clínico do início ao fim, com pinceladas em fisiopatologia, alterações clínicas e no ECG e tratamento.
Não foi o tipo do curso que se sai com a impressão de que ficou faltando algo, ou a carta na manga não foi revelada. Eu provei e aprovei.
Gostei bastante do aprendizado, da estadia no hotel, e dos amigos que eu fiz.
Claro que adorei o Mc Donalds e a papelaria Kalunga que tinham na esquina. E também tinha esse mercado que ficava aberto até às 22 h, aonde comprei lembrancinhas e um zippo vermelho de R$ 4,99.
Os contatos que eu fiz no curso também foram excelentes. O Ricardo é veterinário em Boa Vista, a Márcia em Fortaleza e o André trabalha em Salvador.
A única coisa que não gostei foi o tombo que eu tomei na garagem do hotel, na frente dos meus colegas, no último dia...e mesmo para uma estabanada como eu, ainda sinto que saí no lucro de SJ dos Campos... digo, do Rio Preto.

OBS: O link PROVET não dá acesso ao curso atualmente (10/09/2010), pode ter sido tirado do ar por já ter acontecido.
fonte da imagem