terça-feira, 28 de setembro de 2010

Bem vindos ao mundo, e agora?

Escrever sobre cães com doença, procedência, raça e idade diferentes fez do Diário Veterinária meu cantinho preferido. No mês de outubro eu estou começando uma série de artigos que vão falar sobre a minha experiência com esses companheiros desde o nascimento. O objetivo será compartilhar histórias e orientar sobre as fases da vida do cãozinho, no que diz respeito aos cuidados do proprietário e clínico.
Não há melhor forma de começar como falando do nascimento.
Nessa semana nós fizemos mais uma cesárea. 
Paciente: canino, fêmea, teckel, cerca de 60 dias de gestação. Foi coberta para reprodução no intuito de venda dos filhotes.
Queixa: o proprietário não sabia qual era a data da cobertura, o animal não entrou em trabalho de parto, apresentava secreção vaginal há dois dias.
Nesse dia eu fui para a clínica, avaliei a paciente, fiz uma ultrassonografia. Os filhotes apresentavam bom desenvolvimento, batimentos cardíacos presentes e rítmicos (220 bpm), compatível com gestação a termo.
O que você, colega veterinário, deve fazer?
A pergunta do proprietário foi: Vai ou não fazer a cirurgia? Você que é o veterinário, deve dizer se deve ou não.
A minha pergunta foi: Você, que é o proprietário, e criador, quem deve me dizer quando ela cruzou.
Na ultrassonografia nós fazemos diversas medidas, avaliamos o desenvolvimento e condição dos fetos, aspecto geral, órgãos formados, e podemos predizer o tempo de gestação. Entretanto a estimativa vai variar de 2 a 5 dias. Sem contar que o tempo de gestação na cadela também varia de 57 a 65 dias, porque vai depender de quando houve a cobertura, o pico de LH (hormônio que vai estar em níveis elevados, levando à ovulação) e da viabilidade do sêmen, que pode "sobreviver" até 5 dias na fêmea. Então não depende somente do dia que ela cruzou mas sim do dia que ela ovulou.
Parto prematuro por um ou dois dias pode diminuir as chances de sobrevida dos filhotes. Problemas respiratórios, ausência dos cuidados da cadela e falta de produção do colostro são alguns aspectos que devem se considerados quando  decidir se é hora ou não de intervir. A secreção vaginal enegrecida que a cadela apresentou é evidência de separação placentária portanto, nesse momento, os batimentos dos filhotes e temperatura da mãe devem ser monitorados para decidir o melhor momento de operar.
COLEGA, NÃO REALIZE A CIRURGIA BASEADO NA ANSIEDADE DO PROPRIETÁRIO.
No segundo dia nós fizemos a cesareana.
Nasceram 6 filhotes com bom desenvolvimento e vivos.
 Filhotes com 1 hora de nascidos, sobre o colchão térmico para manutenção da temperatura
 Eu, os filhotes e o Dr Fábio, que auxiliou na cirurgia
 Eu (upando fotos), filhotes e a Dra Renata

Algumas cadelas podem rejeitar os filhotes depois de uma cesárea. Isso não é incomum, então, sempre devemos alertar os proprietários sobre essa possibilidade. Nesses casos deve-se então medicar a cadela para que deixe de produzir leite e ensinar os proprietários sobre os cuidados intensivos que os recém-nascidos requerem.
Mas isso é o assunto para o próximo artigo, Cuidados com o recém-nascido (órfão ou não).
Leia também:
Operando também?
Choque séptico
Um parto
E mais informação:
PHYSIOLOGY OF PREGNANCY AND ANESTHESIA FOR CESAREAN SECTION IN DOGS
Elective Cesarean Sections: Risks, Planning, and Timing


OBS: A cadela do caso tratado no artigo não só rejeitou como matou 5 filhotes quando foi para casa. O último filhote foi separado e será cuidado pelos proprietários.

8 comentários:

Lya Lilith disse...

ô pobrezinhos dos filhotinhos!!! =/

Bianca disse...

Desde o começo do artigo já me pareceu que esse guardião era irresponsável, quando li o final ... tive certeza. É por isso que sou a favor da castração obrigatória para TODOS os animais de companhia.

** Dri ** disse...

Por tudo o que vc faz pelos animais sou sua fã!!!!!
bjos

Alice no País das Maravilhas disse...

A castração traz diversos benefícios aos cães pela vida. Quanto à posse responsável, seria muito interessante que todos castrassem pois diminuiria o número de animais abandonados por aí. No caso dessa cadela, ela entrou para a reprodução para venda dos filhotes. O erro do proprietário foi não ter registrado a data da cobertura mas tudo saiu bem até depois do parto. As chances da cadela rejeitar os filhotes depois do parto aumentam no caso da cesareana. Não há como saber se ela rejeitaria após um parto natural, entretanto ela não deve mais ser usada para a reprodução por ter tido um parto distócico e por ter baixo desempenho materno. Matar os filhotes e em alguns casos, comê-los é um distúrbio comportamental e a cesareana pode ser só uma das causas.

_Euzinha disse...

oi alice
achei seu site aqui por acaso e achei mto interesante.
estudo veterinária na UESC e participei do encontro de veterinária do qual vc foi uma das palestrantes e foi um dos favoritos,o seu e da sua colega de trabalho q tb esteve lá rs
to no segundo semestre ainda.e mta coisa é nova pra mim,gostaria de poder manter contato com vc,poderiamos trocar msn?

Suelen disse...

Que dozinha,ele morreram?
Eu amo ler sobre seus artigos, principalmente quando fala do que vc faz na clinica...
Eu acho lindo essa profissão.

Suely Tortola disse...

gente preciso de informações. minha adla shitsu estava parindo e vi que não saiu todo, então ajudei. mas agora que o Unio filhotinho fés vinte dias acho que tá c problemas p andar não levando a Bundinha nem as patas trazzeiras que eu.posso fazer

Unknown disse...

Gente meus filhotes fez 23 dia hoje é abriram os olhos hj e nem todos só três de seis , isso é normal ? Tem algum problema ?