sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Veterinário Defende Veterinário


Na véspera do meu aniversário em 2007 eu recebi uma notícia ruim. Uma pessoa havia deixado recados muito mau educados no meu orkut. Me chamando de açougueira, chamando a minha clínica de açougue Casa do Bicho, dizendo que eu matei o cachorro dele, me ameaçando, e outras coisas mais. Eu fiz "printscreen" de tudo, entrei no MSN para saber do que se tratava e a história era a seguinte:

O cachorro do rapaz havia doado sangue para dois pacientes da clínica em julho e agosto de 2006, quando em julho de 2007 ele adoeceu, a veterinária dele fez vários exames e sem fechar o diagnóstico, disse que o animal havia ficado doente por causa das duas doações de sangue. Além disso outro veterinário oportunista apoiou a idéia da "doação de sangue deletéria" e ainda disse que eu vendia o sangue. O rapaz ficou transtornado. Me ameaçou e tudo mais.

Agora, antes, me deixe falar um pouco sobre transfusão sanguínea, de acordo com a literatura, um animal pode doar cerca de 16 a 18 ml de sangue por quilo, a cada 3 a 4 semanas. Esse animal doou cerca de 8ml por quilo em cada transfusão e um intervalo de 4 semanas entre elas. Resumindo, ele era saudável e poderia doar até o dobro do que ele doou. Não existe essa doença que vai afetar o animais 12 meses após a transfusão, ele teria que estar muito doente na época da doação para ser prejudicado por ela, e mesmo assim não seria um ano depois.

Mas nenhum cliente tem obrigação de saber disso, o veterinário sim. Voltando no ponto da falta de diagnóstico, agora existem até doenças inventadas, tudo para não assumir o fato de não saber do que se trata e nem buscar ajuda.

Eu fui muito prejudicada pela informação errônea desses dois colegas, não vou nem falar de ética porque ética se trata de algo muito pessoal. Precisei ficar com a segurança na porta da clínica por uma semana, mantive todas as ameaças salvas para ir à polícia caso necessário, sem contar que chorei o dia todo do meu aniversário.

Quando se assume a posição de profissional, as pessoas acreditam no que você fala, elas respeitam a sua opinião e se seu animal estiver morrendo e você colocar a culpa em um veterinário que o atendeu há um ano, para uma DOAÇÃO de sangue, o cliente vai acreditar, ele precisa de alguém para colocar a culpa. 

Não sei se o animal morreu, antes dessa confusão toda, esse cão fez uma ultra-sonografia comigo que revelou aumento de baço, edema testicular, combinado à anemia poderia ser um parasita no sangue, como acontece na "doença do carrapato"... mas foi mais cômodo culpar a doação de sangue. Até meu laudo foi questionado e ridicularizado online. Eu não preciso dizer como eu me senti, sendo chamada de mercenária, queria o sangue do cachorro para vender.

Depois eu mandei um email para o rapaz, com artigos científicos falando sobre transfusão e agradecendo as doações em nome dos animais que receberam.

Ao amigo proprietário de cães: se seu animal puder salvar a vida de algum outro doando sangue, deixe, o veterinário não o fará se o seu animal não tiver condição. Confie!!

Ao colega veterinário, tudo que você fala tem efeito. Não critique o colega para o cliente, se for algo grave, vá ao conselho, converse com o colega, mas não denigra a imagem do outro profissional

Recomendo a Comunidade do Orkut: Veterinário Defende Veterinário

Recomendo (somente para profissionais)  a Comunidade do Orkut: Sou VET, Não São Francisco

Recomendo a leitura do Código de Ética da Classe Veterinária

Recomento a leitura de informações sobre transfusão sanguínea em cães


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• Diário de uma Veterinária


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3 comentários:

Claudia Estanislau disse...

realmente ética profissional hoje em dia é uma coisa pessoal, mas não devia ser, devia ser algo ensinado como uma cadeira extra na universidade. Espero que tudo se tenha resolvido da melhor forma, muito informativa a parte da doação de sangue.

Mirna disse...

Parabéns pelo post. Vc tem TODA razão.

Carina disse...

Parabéns pelo blog! Atuo em outa área de saúde, a humana. Infelizmente sempre teremos profissionais falando mal de colegas para pacientes/clientes. São pessoas que querem se sobressair a todo custo. Eu sempre me ative a somente diagnosticar e explicar o tratamento, mesmo quando detectava erros grosseiros anteriores. No meu curso, a cadeira de ética fazia parte do currículo e muitos colegas perguntavam o motivo dela existir. O teu relato mostra um exemplo da falta dela. Muito chato isso que aconteceu contigo.